
Este é o personagem de Michael Douglas em “Um Dia de Fúria” filme em que ele tem a melhor atuação de sua carreira, superando em muito seu personagem Gordon Geko em “Wall Street”. Aqui ele faz justamente a antítese do seu personagem oscarizado. Faz um homem comum que sente os efeitos daquilo que Gordon mais ama, o capitalismo selvagem.
“Um Dia de Fúria” começa quando D-Fens enlouquece dentro de seu carro quando passa por um engarrafamento em um dia pra lá de quente. Talvez enlouqueça não seja bem o termo... Nesse seu “surto” ele praticamente caminha por um inferno chamado Estados Unidos, conhecendo as vísceras de um país carregado de hipocrisias e bizarrices que não conseguimos nem imaginar. Pois bem, em seu trajeto até a casa de sua fuilha – que está de aniversário – ele discute o preço de um refrigerante com um coreano, entra em uma briga de gangues latinas, num campo de golfe de magnatas, briga por causa da aparência de seu lanche em um Macdonalds da vida, encontra um lunático neonazista (ótimo atuação de Federic Forrest), entre outros elementos “interessantes”.
Bem, mas esse é o pretexto para perguntar: Quantas vezes não desejamos fazer o que ele faz no filme? Quantos vezes não compramos um lanche onde a foto do mesmo é de algo saboroso, grande, recheado e quando colocam o lanche na nossa mesa ele parece uma sola de sapato requentada? O que nós fazemos: comemos sem reclamar. O que ele fez: discutiu até as últimas conseqüências. E no fim das contas ele tinha toda razão, pois ele queria o lanche da foto, só isso. Outro caso de D-Fens: ele vai comprar um refrigerante e o coreano cobra um preço abusivo. D-Fens tenta negociar, até que explode e começa a remarcar o preço de toda loja com um taco de beisebol. E no final paga o preço que queria (o justo) pega seu troco e vai embora.
“Um Dia de Fúria” começa quando D-Fens enlouquece dentro de seu carro quando passa por um engarrafamento em um dia pra lá de quente. Talvez enlouqueça não seja bem o termo... Nesse seu “surto” ele praticamente caminha por um inferno chamado Estados Unidos, conhecendo as vísceras de um país carregado de hipocrisias e bizarrices que não conseguimos nem imaginar. Pois bem, em seu trajeto até a casa de sua fuilha – que está de aniversário – ele discute o preço de um refrigerante com um coreano, entra em uma briga de gangues latinas, num campo de golfe de magnatas, briga por causa da aparência de seu lanche em um Macdonalds da vida, encontra um lunático neonazista (ótimo atuação de Federic Forrest), entre outros elementos “interessantes”.
Bem, mas esse é o pretexto para perguntar: Quantas vezes não desejamos fazer o que ele faz no filme? Quantos vezes não compramos um lanche onde a foto do mesmo é de algo saboroso, grande, recheado e quando colocam o lanche na nossa mesa ele parece uma sola de sapato requentada? O que nós fazemos: comemos sem reclamar. O que ele fez: discutiu até as últimas conseqüências. E no fim das contas ele tinha toda razão, pois ele queria o lanche da foto, só isso. Outro caso de D-Fens: ele vai comprar um refrigerante e o coreano cobra um preço abusivo. D-Fens tenta negociar, até que explode e começa a remarcar o preço de toda loja com um taco de beisebol. E no final paga o preço que queria (o justo) pega seu troco e vai embora.

Claro, suas atitudes são extremadas, porém contém um fundo de veracidade que arrepia. Ele simplesmente expressa o que pensamos, ele age. Um exemplo meu. Fui ao posto de saúde ontem, fiquei mais de uma hora esperando o médico chegar. Cansei e fui embora sem ser atendido (claro, não era nada tão grave que não pudesse esperar). Por acaso eu fui reclamar? Claro que não, aceitei como se tudo fosse natural. Se D-Fens estivesse ali ele puxaria uma arma e esperaria o médico para dizer-lhe umas boas verdades. Quantas vezes já enlouqueci em uma fila de banco, esperando horas para ser atendido? Quantas vezes me indignei com atendimentos terríveis? Achei um preço abusivo, mas pela necessidade tive que pagar aquilo mesmo, ou seja, ser explorado conscientemente!
Agora, quantas vezes tive meu dia de fúria? Em 21 anos acho que somente uma vez fiz algo que lembraria um D-Fens. Subi no ônibus com a namorada e dei uma nota de 50. Vi que o motorista tinha troco, mas ele disse que não podia aceitar e fez com que descesse rapidamente para destrocar o dinheiro em uma venda na frente da parada de ônibus (claro que ele foi tão educado quanto um cavalo). Consegui troco e retornei ao ônibus. Tinha duas notas de 20 e uma de 10. Ele viu que tinha essa nota de 10, mas quando fui pagá-lo fiz questão de dar a nota de 20. Ele ficou enlouquecido comigo e ficou resmungando. Poderia ter dado a 10 e facilitado, mas fiquei tão indignado (eu estava com uma baita mochila de viagem nas costas) que só para sacanear dei a de 20 e fiz ele perder os “troquinhos” dele. Me senti tão bem depois de fazer isso, como se tivesse lavado minha alma! Eu fiz errado? Eu era o vilão?
Enfim, é a terceira vez que assisto esse filme, o considero brilhante na sua crítica social, no fato de conseguir passar a sensação de que o personagem de Douglas é o “mocinho” da história. Pois no final quando ele faz a pergunta perante um policial (Robert Duvval excepcional e que possui toda uma história de seu personagem que daria outro post) se ele é o bandido, nós também pensamos isso: D-Fens é o bandido?
Douglas não podia estar melhor no filme – que com certeza é o mais consistente na carreira de Joel Schumacher – pois consegue passar toda essa raiva e surpresa de conhecer um outro lado do perfeito mundo americano, um mundo sujo, desonesto, um mundo que não faz parte do “sonho americano”. Se Michael Douglas não recebeu uma indicação ao Oscar foi por que seu personagem é pra lá de politicamente incorreto (por alguns ele pode ser considerado um simples lunático exagerado).
Agora, quantas vezes tive meu dia de fúria? Em 21 anos acho que somente uma vez fiz algo que lembraria um D-Fens. Subi no ônibus com a namorada e dei uma nota de 50. Vi que o motorista tinha troco, mas ele disse que não podia aceitar e fez com que descesse rapidamente para destrocar o dinheiro em uma venda na frente da parada de ônibus (claro que ele foi tão educado quanto um cavalo). Consegui troco e retornei ao ônibus. Tinha duas notas de 20 e uma de 10. Ele viu que tinha essa nota de 10, mas quando fui pagá-lo fiz questão de dar a nota de 20. Ele ficou enlouquecido comigo e ficou resmungando. Poderia ter dado a 10 e facilitado, mas fiquei tão indignado (eu estava com uma baita mochila de viagem nas costas) que só para sacanear dei a de 20 e fiz ele perder os “troquinhos” dele. Me senti tão bem depois de fazer isso, como se tivesse lavado minha alma! Eu fiz errado? Eu era o vilão?
Enfim, é a terceira vez que assisto esse filme, o considero brilhante na sua crítica social, no fato de conseguir passar a sensação de que o personagem de Douglas é o “mocinho” da história. Pois no final quando ele faz a pergunta perante um policial (Robert Duvval excepcional e que possui toda uma história de seu personagem que daria outro post) se ele é o bandido, nós também pensamos isso: D-Fens é o bandido?
Douglas não podia estar melhor no filme – que com certeza é o mais consistente na carreira de Joel Schumacher – pois consegue passar toda essa raiva e surpresa de conhecer um outro lado do perfeito mundo americano, um mundo sujo, desonesto, um mundo que não faz parte do “sonho americano”. Se Michael Douglas não recebeu uma indicação ao Oscar foi por que seu personagem é pra lá de politicamente incorreto (por alguns ele pode ser considerado um simples lunático exagerado).
Cotação: 







Um Dia de Fúria (Falling Down, 1993) Direção: Joel Schumacher Elenco: Michael Douglas, Robert Duvval, Barbara Harshey, Federic Forrest, Raquel Ticotin, Tuesday Weld, Lois Smith.

25 comentários:
também adoro Marlon Brando, e adoro café, teu blog é genial, profissional, adorei,volto mais vezes.meu blog é marthacorreaonline.blogspot.com
valeu pela primeira visita Martha.
Abraços!
Felipe, gosto muito de "Um Dia de Fúria" e concordo com você. Esta é a melhor atuação da carreira do Michael Douglas. E o incrível é que é um filme dirigido pelo inconstante Joel Schumacher!!!
"Inconstante", totalmente constante em ruindades creio eu... depois desse acho que só se salva um mediano Por um Fio e o um pouco melhor "Veronica Guerin". Não acha?
Nossa, to devendo uma vinda ao seu blog há um tempo. Sou louco para ver esse filme, mesmo não admirando muito o cinema de Schummacher. O elenco é ótimo e já me falaram muito bem dele.
Ciao!
Wally, esquece o Schumacher, pois o filme é tão dominado pelas atuações (que visivelmente não é por causa do talento do diretor) dos atores que estão, como se diz "na ponta dos cascos".
Felipe,
o que me chama a atenção no seu post de hoje é: ser ou não ser?
Fui lendo e me distanciando do foco, o filme, e centrando a atenção aos detalhes da sua escrita.
Um abraço
Jacinta
PS: acho que passei a impressão de que sou professora, quando escrevi "a diferente do grupo". Mas, na verdade, no meu círculo de amizade, tem muitos professores, e eu, sou a diferente.
Aventura, intriga, arroubos de loucura, tragicos e dóceis homens a vagar entre seus próprios labirintos... bonito! lindo!
Nossa... essa primeira foto do Michael parece meu pai nervosinho! kkk vou mandar pra ele o link!
Sobre o Michael Clayton... sim, achei PLENAMENTE chato com um assunto q já to careca de saber... alias, os filmes do George Clooney me fazem dormir, tirando a série Oceans...Sim, a Tilda mereceu mas pelo conjunto da obra dela... hehe apesar de que... ninguém se destacou taaaantoo assim. Ela é otima.
E sobre JUno, vc comentou exatamente o que comentei no outro post... mais um filme "independentepobreeengraçadinhoquedamosumachance" ... me poupe, tenho certeza que filmes independentes tiveram melhores mas nao posso falar que o filme é ruim, é apenas BOM.
Bacci.
é incrivel esse filme.. muito bom, um dos melhores da sua época e sem duvida nenhuma é masi icnrivel se vc for ver a filmografia bastante duvidosa de Joel Schumacher e Michael Douglas, que tem feito boa coisa,mas honestamente nada se comparando a esse...
se bem que não vi o "Wall Street" que dizem que ele está bem tbm... mas é perdoado pois ele ajudou a produzir o grande clássico do Milos forman "Um estranho no ninho"
ótimo texto mais uma vez... acho tbm que todos nós temos um D-Fens escondido...
abraços
kkkkk, que sarro a tua historia do busao hehehe.Devias ter é ficado atras e pulado a catraca na hora de ir embora hehe.
Sobre o filme, é muito bom.Nao sei se foi o melhor do Douglas, mas de fato nao me lembro dele em outro filme com uma atuaçao tao visceral.
O Robert Duval está ótimo aqui tambem.Volta e meia tambem me deparo com situaçoes em que penso: O que o D-Fens faria agora?
Felipe, além dos dois filmes que você citou, gosto muito de "Tudo por Amor" e de "Linha Mortal", filmes que o Schumacher fez ainda no início de sua carreira.
Antes de ler o texto e comentar sua visão sobre o assunto, preferia assitir à obra em questão antes, um dos poucos filmes não-massacrados universalmente de Joel Schumacher.
Cumps.
Excelente texto sobre este ótimo filme! Michael Douglas está soberbo, até valia mesmo uma indicação ao Oscar daquele ano. E todos nós (creio) já tivemos um dia de fúria também, mas acho que somos sensatos o suficiente para descarregar nossa fúria em "pequenas doses", como vc fez com o cobrador, hehe. Abraço!
Jacinta, acho que o foco não é o filme mesmo, ele serve mais como pretexto para escrever algumas coisas que me incomodam...
nATUREZA, QUE ... poético, será que D-Fens aprovaria? rsrsr
Debora, puxa, não vá me dizer que seu pai tem ataques de D-fens também?? George Clooney lhe faz dormir? rsrsr é curioso isso, acho ele tão cool... E sobre Juno de acordo total!
Rodrigo, acho que Schumacher é duvidoso, ams Michael Douglas é um ator tão ... desleixado, acho que aí está sua graça, ele passa uma coisa "tô nem aí" que atinge o seu ápice em "Garotos INcríveis", outra interpretação brilhante.
Rogério, hoje me lembro rindo da história do onibus, ams na hora deu tanta raiva...
Kamila, acho o primeiro tão meloso e o segundo pretensioso e até um pouco adolescente demais... acho o Joel muito fraco mesmo, vai ver a melhor coisa que ele fez foi ter sido o cenógrafo do filme "Interiores" de Woody Allen, onde ele faz um trabalho excelente.
Gustavo, vai firme!
Bruno, aí está a questão, descontar em doses homeopáticas é justo com quem não tem muito a ver com determinadas situações?
Michael Douglas é o tipo de ator que se escolhesse sempre projetos audaciosos, ainda que falhos, poderia estar no imaginário cinematográfico como seu pai, Kirk. Mas de qq maneira esse é um de seus melhores papéis!
http://blogcinefilia.zip.net
Retribuindo sua visita ao "Luzes da Cidade", sento, tomo um pouquinho de café e começo a ler o seu blogue. E saio com uma boa impressão. Também gosto de "Um Dia de Fúria". Deve ser, realmente, o melhor filme de Schumacher. E certamente a melhor atuação de Michael Douglas, que é um ator inferior ao pai. Brando, sem dúvida, é um fora-de série. Gosto muito dele e de outros, mas o meu ator preferido é James Mason. Um abraço e um dia que não o leve a nenhum momento de fúria (rs).
Então Felipe, não acho justo não, mas as vezes é a única saída que temos pra não acumular tudo e descontar de uma só vez em determinada situação. Acumular tudo, guardar pra vc, de repente pode fazer um dia vc "estourar" com uma pessoa querida, em face do tanto de stress acumulado. Então dar uma resposta mais desaforada pra quem foi mal educado com vc, falar até um palavrão no trânsito pra quem te fechou, isso pode ir aliviando o stress aos poucos. Não que eu ache correto, justo ou recomendável, só acho que é um mecanismo que acabamos por utilizar constantemente, mesmo que seja de forma inconsciente. Abraço!
Vinicius, mas acho que Douglas já afz parte da história do cinema assim como seu pai - o eterno Spartacus. Douglas tem boas escolhas, e é bom ator (considero-o melhor que Kirk). Vc não acha?
Francisco, vale pela visita. Acho que Michael é melhor que o pai - que parece ter vivido apenas um tipo de papel - o eterno Spartacus. Sendo que a melhor atuação de Kirk para mim é no filme "Assim Estava Escrito". E quanto a Mason, grande ator também - gosto muito dele em O Veredito e Lolita.
Bruno, é acho que fico com a opção "doses homeopáticas" - não tinha pensada muito no fator de estourar de uma vez só...
A cena do café da manhã na lanchonete é catártica! Esse e "Garotos Perdidos" são os únicos filmes decentes de Joeal Schumacher. E talvez esse seja o melhor disparado do canastrão Michael Douglas.
Abs!
Tô tentando fazer a cabeça lembrar de um bom trabalho de Michael, além desse Um Dia de Fúria.
Não sei, mas não gosto muito do tipo de ator que ele representa.
Abraço!!!
Vulgu Dudu, vocÊ acha ele canastrão? Não acho, acho ele "cool", um estilo de atuar meio despojado, descompromissado, que tb pode passar essa sensação de canastrão será?
Pedro, Wall Steet é um belo trabalho de composição também, assim como o recente "Garotos Incríveis" onde atua bem pra caramba e merecia até uma indicação ao Oscar, já conferiu?
Felipe, nunca vi nenhum dos dois. Tenho que corrigir isso.
Me lembrei de um que gostei, Refém do Silêncio.
Abraço!!!
Este filme de Joel Schumacher foi feito no início da década de 90, quando na minha opinião, foi o início da revolução digital, a troca da máquinas de escrever pelos computadores e o personagem de Michael Douglas é o exemplo da pessoa que estava sendo descartada pelo mundo, trocada por jovens e ele apenas reage a sua maneira contra esta situação.
Sem dúvida um grande filme.
Visite meu blog.
http://cinema-filmeseseriados.blogspot.com
Abraço
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